quarta-feira, 30 de julho de 2008

Casinos, que mal é que faria?

Conforme tinha prometido anteriormente, aqui vai um post dedicado à temática da liberalização do jogo em Portugal:

Sou a favor da liberalização do jogo, como aliás, sou a favor da liberalização de quase tudo, drogas leves, prostituição, horários dos estabelecimentos comerciais, corridas e desportos com animais, etc. ...

Focando-me apenas no caso específico dos jogos de casinos, acho que o sector está na mão de um grupo económico e de interesses instalados e que não existe um verdadeiro interesse em liberaliza-lo, pois isso poria em risco os monopólios a que os políticos portugueses têm , ao longo dos séculos, prostituído a nação a interesses privados e/ou pessoais.

Porque é que a liberalização do jogo incomoda tanta gente?

Em primeiro lugar seria o acabar do monopólio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com os jogos sociais, algo que a própria Igreja Católica não gostaria que acontecesse e que representa muitos dos melhores "tachos" deste País.
Outro dos principais prejudicados, mas apenas na sua única maneira de ver as coisas, seria o grupo liderado pelo magnata Stanley Ho, pois abriria à concorrência o seu monopólio instalados dos casinos em Portugal. Mas até para este senhor, a liberalização poderia ser benéfica, tal como aconteceu em Macau, onde ele detinha o monopólio e desde que deixou de o deter aumentou os seus lucros, pois Macau passou a ser a capital mundial do jogo e muitas mais pessoas acorreram ao território e a ela possibilitou-lhe a abertura de mais casinos.
Penso que o mesmo sucederia por cá, vários casinos abririam em varias localidades atraindo mais turistas e mais receitas, diversificando a nossa oferta e criando uma maior entrada e fixação de capitais e a criação de mais postos de trabalho.

Também os impostos cobrados pelo estado seriam maiores aumentando o nível de receitas.

Juntamente com os casinos floresceria todo o negócio da hotelaria e restauração e também doas artes e entretenimento. Bem como os artigos de luxo, moda, lojas e transportes.

Em paralelo com os casinos, a liberalização das apostas desportivas permitiria aumentar as receitas das nossas equipes em variados desportos, principalmente nas corridas de cavalos e cães, mas também no futebol, rugby, andebol, basquetebol, voley, ténis, desportos motorizados e boxe, bem como artes marciais, entre outros.

Porque é que não havemos de ficar com uma parte dos lucros das empresas que já exploram este mercado em Portugal através da Internet?

Seria isso assim tão mau para o governo? Obter uma receita que não fosse retirada dos bolsos dos Portugueses, classe média e trabalhadores por conta de outrem?

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Nova Ligação Setúbal-Troia

Viajei este fim de semana pela primeira vez nos novos barcos que atravessam o Rio Sado e fiquei perplexo com a ineficiência e desleixo, até mesmo incompetência com que este serviço é gerido!

Registou-se um aumento de quase 50% no preço dos bilhetes com a entrada dos novos ferries, Porque?
Não deveria um novo investimento ser viável? Se foi feita uma mudança, deveria ter sido para melhorar a eficiência, logo geral uma redução dos custos, não um aumento.

Os novos ferries representam, sem dúvida, um aumento da capacidade de transporte em relação aos antigos, pois são capazes de transportar mais barcos por viagem, logo a travessia deveria de ficar mais eficiente (barata) relativamente a cada veiculo e pessoa transportados. Mas tal não acontece... Porquê?
E porque continuamos a ter filas enormes e tempos inaceitáveis de espera para entrar nas novas embarcações?

Espero deixar aqui uma ajuda às pessoas e instituições que estão encarregues de gerir a travessia. Ajuda esta gratuita, ainda que nos tempos que correm uma consultoria deste calibre seja muito bem paga.

Problema 1 : Filas que se formam a jusante da bilheteira.
Tanto do lado de Tróia como do lado de Setúbal, os veículos formam filas fora da bilheteira, enquanto o parque nunca enche.
Problema 2: Tempos de espera elevado desde que se entra no barco até o barco partir.

Causa: Como o ferry tem uma capacidade elevada, aceita todos os veiculos que estão disponiveis para entrar e fica incompleto, tendo que esperar que entre um terço a metade da sua capacidade ainda tenha de pagar bilhete e precorrer a distancia entre a bilheteira e o barco, enquanto as pessoas dentro do barco (des)esperam para sair.

Solução: Aumentar a capacidade das bilheteiras e dos parques de espera.
Como?
No lado de Setúbal, já existem duas bilheteiras, ainda que apenas uma esteja a funcionar, não se compreende o porquê desta decisão, mas deveria de ser explicada pelo responsável pela mesma.
Do lado de Tróia, falta de planeamento torna-se evidente, pois apenas existe uma bilheteira que deve servir veiculos e pedestres, não havendo espaço na estrada para a fila que se forma, pois o parque também foi desenhado pequeno. A solução seria aumentar o parque e o número de bilheteiras disponiveis. Agora, se este parque foi criado especificamente para estes barcos e esta situação porque é que esta situação não foi prevista? Ou os estudos efectuados foram ineficazes ou será que os barcos foram pensados para andar a meio-gás? Assim se explicaria a necessidade de aumento de preços dos bilhetes!

Problema 3: Aumento do preço dos bilhetes.
Causa: Novos barcos representam um novo investimento e custos acrescidos?!?!?!
Análise: Como é que um novo pode ser desculpa para um aumento de preços ao consumidor?
A substituição de barcos ultrapassados por novos não me parece ser um motivo razoável para um aumento das tarifas. Os novos barcos deveriam significar uma redução de despesas de manutenção, de combustivel e um aumento na eficiência de transporte, transportando mais automóveis por viagem. Gostaria muito de ver uma explicação detalhada sobre a componente do custo de cada viagem antes e depois dos novos barcos.
Solução: Melhor aproveitamento do espaço nas embacações.
Melhoria 1: Devido ao longo tempo de paragem do barco no cais, referida acima e causada pela pelo mau planeamento e ineficiência das bilheteiras, os arrumadores do barco começam a arrumar mal os veiculos no seu interior de modo a que o barco encha mais rapidamente e possa sair mais cedo, nomeadamente, aumentando a distância entre carros e colocando motas a ocupar lugares de um carro, quando existem no barco locais (que me parecem) adquados para guardar as motos -

Aparte: Aqui, outra questão se levanta, pois tal como eu, a esmagadora maioria dos condutores deixa passar as motos à frente na fila, assumindo que uma mota não ocupa o lugar de um carro, pois pode ser arrumada lateralmente ou quer à frente, quer atrás onde não ficam carros, como isto não é assim, agora as motas passam à frente da fila, tirando o lugar a quem espera pacientemente pela oportunidade de pagar o bilhete mais caro para continuar a ser mal-servido.


Melhoria 2: Os barcos continuam a não ter um bar, que possa vender gelados, bebidas frescas e até uma sandes ou mini-refeições que já estejam preparadas. A abertura de um bar no interior de cada barco aumentaria a fonte de receitas da empresa sendo uma alternativa ao aumento de tarifas.
Melhoria 2.1: Para além do bar, um quisque com jornais, revistas e livros (ou mesmo protectores e cremes solares, brinquedos e artigos de praia) também seria uma melhoria consideavel, quer no serviço providenciado aos utentes, quer no aumento de receitas para a empresa.
Melhoria 2.2: Posto de venda de merchandising da empresa de transporte, com camisolas, toalhas e outros artigos de praia, até mesmo postais ou miniaturas dos barcos.
Para além disso também merchadising relativo à Marina e ao Casino de Troia, ao empreendimento, à Cidade, aos Parques Naturarais do Estuario e da Serra (com Golfinhos, Cegonhas e outras especies emblemáticas da região) e até mesmo ligado ao Vitória poderia ser comercializado durante a travessia.
Melhoria 2.3: Uma Sala com máquinas de jogo e diversão é a sugestão mais discutivel, mas poderia ser sempre uma associação feita ao Casino da Troia. Até um serviço de massagens (ou uma rápida aula de aeróbica) poderia ser providenciado a quem quisesse libertar o stress durante a viagem. Ou seja, desde que haja vontade podem ser sempre encontradas maneiras de aumentar a receita em cada viagem e retirar da tarifa a sustentabilidade da empresa.

Melhoria 3: O ferry antigo continua a fazer atravessia, desta vez apenas com pessoas e ao preço antigo, como é que esta situação é justificada, visto que se a travessia aos preços antigos não é viavel para a empresa, porque é que com o mesmo barco, com muito menos receita passa a ser viavel? Se aquela opção de travessia for retirada e os passageiros encaminhados para os barcos novos, a empresa terá certamente uma diminuição nos custos operacionais.
A outra alternativa é a continuação do barco em funcionamento, mas levando também veiculos, o que neste caso, iria acentuar ainda mais a falta de rendimento das bilheteiras e criar um caso de estão dos bilhetes que não me parece que a empresa tenha capacidade para gerir.

Finalmente, aproveito para deixar um reparo às autoridades da Cidade de Setúbal e perguntar como é que é possível que continue a praga dos vendilhões de etnia cigana a vender os seus artigos aos passageiros de uma forma insistente e incomodativa, com a agravante de dexar de acontecer dentro do parque de espera e passar a ser à porta da Marina Atlântica, mesmo em frente ao Quartel da Brigada Fiscal da Guarda Nacional Republicana. Porque é que não há uma intervenção firme das autoridades?